quinta-feira, 26 de maio de 2011

Cântico dos Salmos, Exclusivamente!

O afastamento de diversas denominações presbiterianas do cântico exclusivo dos salmos (i.e, do culto bíblico) deveu-se basicamente a três razões.

(1) Diversas igrejas presbiterianas perderam o entendimento bíblico do princípio regulador do culto e por isso só o aplicavam ao ato de culto público. Reuniões “particulares”, culto familiar e particular eram consideradas áreas da vida que estavam fora alcance do rígido parâmetro da aprovação divina. Praticamente todas as inovações dos séculos dezoito e dezenove penetraram nas igrejas através de práticas que foram arbitrariamente colocadas para fora da “sola scriptura” (e.g., culto familiar, Escola Dominical, reuniões de avivamento, etc.).

(2) Muitos presbiterianos foram influenciados pelo sentimentalismo do reavivamento pietista que varreu as colônias durante o século dezoito. Ao longo desse período várias famílias e pastores começaram a usar a “Imitação dos Salmos de Davi” [Psalms of David Imitated, 1719] de Isaac Watts, em lugar do saltério (1650) cuidadosamente traduzido e empregado pelos presbiterianos daqueles dias. A versão dos salmos de Watts era um afastamento radical do cântico exclusivo de salmos, sendo muito mais que uma paráfrase dos salmos. Em muitas ocorrências equivalia a hinos não-inspirados vagamente baseado nos Salmos. Não se deve esquecer jamais que Isaac Watts, no prefácio de seu Hymns and Spiritual Songs [Hinos e Canções Espirituais, 1707], admitia abertamente que considerava os Salmos de Davi como falhos, “contrários ao evangelho” e capazes de fazer os crentes “falarem falsamente a Deus”. A versão dos Salmos de Watts foi aceita por muitas famílias e diversos ministros, e foi uma pedra de passagem para a clamorosa hinologia do hinário de Watts.

(3) As inovações do século dezoito não teriam se enraizado se os presbitérios das colônias tivessem feito seu trabalho e disciplinado os ministros que haviam corrompido o culto a Deus e se apartado da Escritura e dos Padrões de Westminster. Havia uma certa indisposição em fazer da pureza do culto uma questão de disciplina. Ocorreram várias disputas a respeito da versão de Watts de 1752 até 1780. O resultado, entretanto, era sempre o mesmo. O presbitério ou sínodo envolvido recusava tomar atitudes decisivas, permitindo, dessa forma, que as imitações de Watts permanecessem. Como resultado, os que não desejavam se contaminar separaram-se em grupos presbiterianos bíblicos menores. O declínio foi codificado em 1788 quando se adotou um novo diretório para o culto que modificava a declaração de “cântico de salmos” do diretório de 1644 para “por cântico de salmos e hinos”.


Brian M. Schwertley é Mestre em Divindade pelo Reformed Episcopal Seminary, Philadelphia, USA. Bacharel em Artes, com honras, pela Universidade Temple (Concentração em História), Philadelphia, USA. Pastor da Chalcedon Christian Church da Igreja Presbiteriana Reformada dos E.U.A., MI. Trabalhou como plantador de igrejas na Reformation Fellowship (RPCNA) Mission Church, Lansing, MI, de 1995 a 2000. Foi também palestrante no Simpósio Os Puritanos, em Junho de 2001, no Recife, e na Conferência sobre Adoração do Greenville Seminary (onde debateu sobre a Salmodia Exclusiva), em Março de 2003. Autor de vários artigos e livros teológicos, entre eles: “O Modernismo e a Inerrância Bíblica”; “O Movimento Carismático e as Novas Revelações do Espírito” e “Sola Scriptura e o Princípio Regulador do Culto”. Brian é casado com Andrea há 21 anos e têm cinco filhos, todos educados em sistema de homeschool (ensino doméstico).

E-mail: mbschertley@athena.com

Home page: http://www.reformedonline.com/

1 comentários:

Anónimo disse...

Neste texto percebo que se fôssemos os Quaquers, agíssimos como eles, teríamos a alegria da aparecer nas caixas da aveia quaker... o que acha?
Pois bem, eu não posso em hipótese alguma assumir que o mundo "gospel" atual é totalmente idôneo. Nem tampouco devo dizer que está de todo condenado. Orações. Muita música que canamos hoje são orações que poetas elaborram em seu "coração" pecador para dar tributos ao Senhor. Ou senão, em contrapartida, se somente os salmos do irmão Davi são lícitos nos momentos litúrgicos, devemos descartar os puritanos, pietistas e tudo mais que houve, inclusive os reformadores, pois fugiram do modo de seu tempo de cultuar a Deus. O que me chama a atenção é este medo de cantar, de bater palma... bem coreografia nem pensar... não a entendo... mas limitar os cânticos aos salmos, ao hinário... sei não... parece coisa de um movimentozinho pernicioso que se instala... mas eu diria o que Gamaliel disse... gosto dele...deu pra perceber... deixa estar, tanto um como outro... pois se de Deus forem, ELE o susterá, caso contrário sumirá... mas se de Deus for, claramente estaremos nos opondo a quem? Silogismo...1-2-3 e ja!
Pois bem, continuem escrevendo, peneiramos... tem coisa boa aqui sim. E admiro... mas tem uma tendenciazinah fundamentalista e quase neo puritana que deixa lá na Bahia, sei lá... onde eles querem estar... aqui, no Brasil de verdade, temos a Cristo, nosso Senhor. Carlos

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Cântico dos Salmos, Exclusivamente!

O afastamento de diversas denominações presbiterianas do cântico exclusivo dos salmos (i.e, do culto bíblico) deveu-se basicamente a três razões.

(1) Diversas igrejas presbiterianas perderam o entendimento bíblico do princípio regulador do culto e por isso só o aplicavam ao ato de culto público. Reuniões “particulares”, culto familiar e particular eram consideradas áreas da vida que estavam fora alcance do rígido parâmetro da aprovação divina. Praticamente todas as inovações dos séculos dezoito e dezenove penetraram nas igrejas através de práticas que foram arbitrariamente colocadas para fora da “sola scriptura” (e.g., culto familiar, Escola Dominical, reuniões de avivamento, etc.).

(2) Muitos presbiterianos foram influenciados pelo sentimentalismo do reavivamento pietista que varreu as colônias durante o século dezoito. Ao longo desse período várias famílias e pastores começaram a usar a “Imitação dos Salmos de Davi” [Psalms of David Imitated, 1719] de Isaac Watts, em lugar do saltério (1650) cuidadosamente traduzido e empregado pelos presbiterianos daqueles dias. A versão dos salmos de Watts era um afastamento radical do cântico exclusivo de salmos, sendo muito mais que uma paráfrase dos salmos. Em muitas ocorrências equivalia a hinos não-inspirados vagamente baseado nos Salmos. Não se deve esquecer jamais que Isaac Watts, no prefácio de seu Hymns and Spiritual Songs [Hinos e Canções Espirituais, 1707], admitia abertamente que considerava os Salmos de Davi como falhos, “contrários ao evangelho” e capazes de fazer os crentes “falarem falsamente a Deus”. A versão dos Salmos de Watts foi aceita por muitas famílias e diversos ministros, e foi uma pedra de passagem para a clamorosa hinologia do hinário de Watts.

(3) As inovações do século dezoito não teriam se enraizado se os presbitérios das colônias tivessem feito seu trabalho e disciplinado os ministros que haviam corrompido o culto a Deus e se apartado da Escritura e dos Padrões de Westminster. Havia uma certa indisposição em fazer da pureza do culto uma questão de disciplina. Ocorreram várias disputas a respeito da versão de Watts de 1752 até 1780. O resultado, entretanto, era sempre o mesmo. O presbitério ou sínodo envolvido recusava tomar atitudes decisivas, permitindo, dessa forma, que as imitações de Watts permanecessem. Como resultado, os que não desejavam se contaminar separaram-se em grupos presbiterianos bíblicos menores. O declínio foi codificado em 1788 quando se adotou um novo diretório para o culto que modificava a declaração de “cântico de salmos” do diretório de 1644 para “por cântico de salmos e hinos”.


Brian M. Schwertley é Mestre em Divindade pelo Reformed Episcopal Seminary, Philadelphia, USA. Bacharel em Artes, com honras, pela Universidade Temple (Concentração em História), Philadelphia, USA. Pastor da Chalcedon Christian Church da Igreja Presbiteriana Reformada dos E.U.A., MI. Trabalhou como plantador de igrejas na Reformation Fellowship (RPCNA) Mission Church, Lansing, MI, de 1995 a 2000. Foi também palestrante no Simpósio Os Puritanos, em Junho de 2001, no Recife, e na Conferência sobre Adoração do Greenville Seminary (onde debateu sobre a Salmodia Exclusiva), em Março de 2003. Autor de vários artigos e livros teológicos, entre eles: “O Modernismo e a Inerrância Bíblica”; “O Movimento Carismático e as Novas Revelações do Espírito” e “Sola Scriptura e o Princípio Regulador do Culto”. Brian é casado com Andrea há 21 anos e têm cinco filhos, todos educados em sistema de homeschool (ensino doméstico).

E-mail: mbschertley@athena.com

Home page: http://www.reformedonline.com/

1 comentário:

Anónimo disse...

Neste texto percebo que se fôssemos os Quaquers, agíssimos como eles, teríamos a alegria da aparecer nas caixas da aveia quaker... o que acha?
Pois bem, eu não posso em hipótese alguma assumir que o mundo "gospel" atual é totalmente idôneo. Nem tampouco devo dizer que está de todo condenado. Orações. Muita música que canamos hoje são orações que poetas elaborram em seu "coração" pecador para dar tributos ao Senhor. Ou senão, em contrapartida, se somente os salmos do irmão Davi são lícitos nos momentos litúrgicos, devemos descartar os puritanos, pietistas e tudo mais que houve, inclusive os reformadores, pois fugiram do modo de seu tempo de cultuar a Deus. O que me chama a atenção é este medo de cantar, de bater palma... bem coreografia nem pensar... não a entendo... mas limitar os cânticos aos salmos, ao hinário... sei não... parece coisa de um movimentozinho pernicioso que se instala... mas eu diria o que Gamaliel disse... gosto dele...deu pra perceber... deixa estar, tanto um como outro... pois se de Deus forem, ELE o susterá, caso contrário sumirá... mas se de Deus for, claramente estaremos nos opondo a quem? Silogismo...1-2-3 e ja!
Pois bem, continuem escrevendo, peneiramos... tem coisa boa aqui sim. E admiro... mas tem uma tendenciazinah fundamentalista e quase neo puritana que deixa lá na Bahia, sei lá... onde eles querem estar... aqui, no Brasil de verdade, temos a Cristo, nosso Senhor. Carlos